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A Desastrosa Herança Americana das Drogas

Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 

 

               A DESASTROSA HERANÇA
               AMERICANA DAS DROGAS
 
                                                                                        Texto de Mário Giudicelli
                                                                                               Janeiro 2000
 
O chamado “problema internacional das drogas” quando estudado e analisado de forma racional, sem emoções personalistas, sem partidarismo político, sem a influência danosa, desinformada e incompetente das religiões fundamentalistas e/ou da moral particular de cada sociedade humana, e, acima de tudo, visto pelo puro lado da ciência – isto é, a questão puramente química e o estudo do problema visto pela sóciobiologia, que é análise do comportamento animal do ser humano – tudo isso nos demonstrou no passado, como continua a nos demonstrar no presente, que nos vemos em face de uma luta que vem sendo perdida, e continuará a ser perdida.
 
Essa não é a opinião ISOLADA de um modesto jornalista que escreve para poucos leitores espalhados por algumas cidades do Brasil e dos Estados Unidos. É, sim, a visão de profundos entendedores do assunto,  Dr Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford na Califórnia, o já falecido Dr. Carl Sagan, o prêmio Nobel, também falecido, Dr. Konrad Lorenz, ex-diretor do Instituto Max Plank de Berlin e professor de Sociobiologia. Mas existiram, também no passado (quando o pavor nacional das drogas ainda não havia sido estabelecido pelo puritanismo protestante) outros gênios da medicina e da ciência, como Sigmund Freud e Charles Darwin, que de forma ainda  que não direta, demonstravam a loucura do comportamento da espécie animal denominada de “homo sapiens”.
 
Dito muito, sucintamente, ( afinal este é apenas um breve comentário para o entretenimento do leitor interessado no assunto ), em essência a questão principal é que partimos de uma premissa falsa e a  dessa produzimos uma outra série de premissas verdadeiras, que acabam por confundir a forma racional e inteligente de analisarmos uma questão que, em verdade, é extremamente simples, desde que a sua premissa inicial seja verdadeira, confirmável, e verificável ( o que não ocorre hoje). Ora – perguntará o leitor – e que premissa inicial falsa é essa ?
 
O ponto de vista do cientista racional é o seguinte : Nada pode ser séria e corretamente estudado e analisado em relação aos chamados problemas humanos ( como é o caso das drogas, por exemplo) enquanto partirmos totalmente da  premissa de que somos uma espécie particular  e que o homem , graças à sua inteligência, é uma criatura especial também com características especiais e  e assim responsável por seus atos.
 
Querem os cientistas mencionados que a verdadeira premissa é a de entendermos que estamos apenas lidando com uma espécie animal. Sem dúvida, por exemplo, que não temos asas ( o que nos faz diferentes das aves); que nos faltam patas velozes ou enormes caninos ( que nos tornam diferentes do antílope ou do leão). .Mas somos todos animais no sentido cientificamente comprovado por Darwin, apenas com a adição particular de possuirmos um neo cortex desenvolvido que nos permite pensar ( o que por si só nada tem de especial e não passa apenas de uma forma de evolução natural dessa espécie, como o foi o radar dos morcegos que os impede de chocar-se contra obstáculos no escuro ).
 
Talvez a mais importante e principal característica animal é que nesse emaranhado de nervos, ossos, sangue, “star stuff” enfim, conforme dizia Carl Sagan (ou “matéria estelar”) todos os animais, em sua luta pela sobrevivência, possuem em seu cérebro um composto de nervos denominado de forma generalizada como “cérebro reptílico”( ou hipotálamo) e que é como um comando geral do organismo para sua defesa na sua luta pela sobrevivência. Dito em termos simples, esse “quartel general” objetiva proporcionar bem estar e evitar coisas tais como o medo, a dor ou a morte. Dentro do organismo é também, fabricada uma substância, denominada de endorfina ( que tem uma semelhança química com a heroína) que proporciona a sensação de bem estar ao corpo. Consequentemente, qualquer ato , substância ou ação danosa é repelida e qualquer ato, substância ou ação prazerosa é bem e rapidamente recebida e aceita. Essa é a razão porque temos prazer no ato sexual, em beber água quando temos sede ou comer quando temos fome.
 
No caso particular do ser humano, sua inteligência, em meio a suas enormes capacidades, produziu substâncias, ou inventou certos atos, que causam prazer especial ao corpo. Comer comida condimentada ou beber cerveja, são dois simples exemplos. Mas nesses casos, como no caso das drogas, a ação animal do hipotálamo, em sua forma por vezes alucinada e animalesca, utilizou-se da inteligência para   “alargar”, ou “intensificar” os prazeres físicos gratificantes para o corpo, como tanto pode ser o ato sexual acompanhado de duas doses de whisky (para suavizar a inibição ) ou preferir ver um filme em tela de cinemascópio a cores, ao invés de tela normal em preto e branco. Tudo o que nos proporciona prazer é sempre bem recebido pelo hipotálamo.
                       
 
                             A AUSÊNCIA OU PRESENÇA DA FELICIDADE
 
Você já reparou que só percebemos como é bom não ter dor quando estamos com dor de dentes? Que só sentimos a importância da felicidade quando esta está ausente e nos sentimos infelizes ? A invenção de certos compostos químicos simples como a aspirina, além de mais ou menos aliviarem a dor, são geralmente ingeridos somente quando nos sentimos mal.
 
O tranquilizante bem dosado, para nos devolver a calma. Fora dessas situações, normalmente ninguém ingeriria vinte aspirinas ou tranquilizantes. Na verdade, chegamos até a esquecer esses dois produtos. Em condições normais todos os animais ( e particularmente o ser humano em que essa condição é mais facilmente observável e analisável) mantém-se dentro daquilo que poderíamos chamar de “nível de normalidade” .
 
Esse é o nível que nos encontramos quando não temos dores, quando estamos bem alimentados, quando temos dinheiro para pagar as contas, temos emprego ou estamos de bem com a vida ( não dispomos de espaço aqui para citar tudo o que nos faz sentir bem, obviamente ).
 
Contudo, no momento em que saímos desse “nível de normalidade”, imediatamente o hipotálamo determina ao cérebro inteligente ( o neo cortex) para que encontre vias e formas para podermos retornar à situação anterior de bem estar. Os cientistas que trabalham nos campos citados acima, sabem que normalmente existem duas situações básicas que afetam seriamente o bem estar do corpo humano: quando este se acha caído, sem energias e forças, ou quando, ao contrário, se acha superexcitado, nervoso e sem conseguir repouso.
 
Para controle dessas duas situações que afetam negativamente o hipotálamo, os cientistas descobriram que duas drogas em particular, parecem constituir a medicação ideal que devolve o corpo ao seu chamado “nível de normalidade”, isto é, seu bem estar.
 
Obviamente, portanto, conclui-se que tudo aquilo que nos faz bem é desejado e se tais produtos além de nos devolverem o bem estar ainda por cima acentuam ainda mais a sensação de prazer para o corpo, mais ele será ingerido. Para o primeiro caso acima, nada é mais eficiente do que a cocaína, que é o alcalóide produzido pelas folhas da planta chamada coca e existente na Bolívia. 
 
Para os super agitados e nervosos, a chamada “choice drug” , ou droga preferida, é, indiscutivelmente, a heroína, um dos três subprodutos da papoula “somnifera”, isto é (heroína, morfina e codeína, sendo que a morfina é ideal para o controle total da dor e a codeína, especialmente valiosa para o mal estar e dores intestinais, por exemplo).
 
                        DEVEM OU NÃO SER PRODUZIDAS ESSAS DROGAS ?
 
Levando-se em conta que qualquer organismo que esteja fora de seu nível de normalidade deseja ardentemente voltar a se sentir bem, deduz-se logicamente, que estamos prontos para pagar qualquer preço para o atingimento desse objetivo reclamado pelo hipotálamo e acionado pelo neo cortex a serviço do primeiro. E é precisamente aqui que começamos a ter que enfrentar o problema do desequilíbrio do comportamento do ser humano, segundo as características tão bem descritas pelo Professor Desmond Morris, em seu livro “O Jardim Zoológico Humano”. Uma das “anormalidades” do comportamento do homo sapiens é, curiosamente, causada pelo próprio hipotálamo, ao valer-se da inteligência para atingimento de satisfação de seus instintos animais. 
 
A constatação ( única entre os seres humanos) do conhecimento do chamado tempo elástico, isto é, de que sabemos o que é o hoje, o ontem e o amanhã, e assim percebemos antecipadamente de que um dia morreremos, leva o hipotálamo a determinar ao neo cortex que encontre uma fuga para essa aterrorizante ameaça à existência desse corpo. Não podendo fugir a esse inelutável destino, a inteligência, contudo, logo nos inventa uma série de formas de escape de modo a acalmar o desesperado hipotálamo.
 
E com isso inventamos todas as formas de crenças religiosas, cujo princípio básico é a promessa da vida eterna ou da ressurreição ( não importa., como no caso do induismo, que tenhamos que voltar dentro do corpo de um macaco ou de uma vaca ou, como no caso dos espiritistas, que nos comuniquemos, depois de mortos, com nossos parentes vivos através de centros espíritas). O que importa é a promessa ou garantia de que não morreremos para sempre.
 
Mas além da confortável sensação de segurança ante o terror da morte, a comunicação especial com o Deus  leva certos indivíduos alfa das sociedades humanas – estejamos nós falando de tribos indígenas do Brasil ou do Vaticano em Roma – a logo assumirem um poder paralelo ou concorrente com o poder civil do cacique tribal ( ou ainda do ditador, presidente ou chefe de estado) e isto porque tais indivíduos, por sua própria característica de indivíduos alfa dominantes, são os que possuem o poder de se comunicar com a autoridade divina, que somente eles podem interpretar ou conversar. 
 
Essa é, em essência., a razão porque algumas  religiões inventam toda a sorte de preconceitos e pecados em torno dessas necessidades, de modo a melhor poder explorar a massa e, possivelmente, subjugá-la com a mesma eficiência de uma ditadura policial. Recordando também que o corpo são não precisa de uma aspirina, da mesma forma que uma pessoa saudável e feliz dispensa a presença do pajé, torna-se imprescindível para o paje, em todas as sociedades humanas, sem exceção ( quaisquer que sejam as máscaras com que se apresentem ) que todo o pecado e toda proibição recaiam, essencialmente, por cima de tudo o que possa constituir prazer, alegria ou bem estar.
 
Tornar o ser humano infeliz é a arma essencial para que o pajé possa vender a alto preço essa felicidade que só ele pode dispensar, ao prometer a salvação em troca do alto preço do seu poder espiritual (e econômico ou político) sobre a massa ignorante e assustada pelo medo da morte ou da fome.
                       
            A DESASTROSA HERANÇA DO FUNDAMENTALISMO
 
Os Estados Unidos, país do qual sou cidadão, proporcionam aos estudiosos do comportamento o mais perfeito exemplo de uma sociedade humana em que os numerosos líderes religiosos criaram uma curiosa condição de vida e que serviu como luva para que o Dr. Desmond Morris pudesse produzir suas duas sensacionais obras denominadas de “O Jardim Zoológico Humano” e “O Macaco Nu”. A maioria das religiões explora a fome ( o hoje acentuado pecado de comer entre os árabes no chamado período do Ramadan é um clássico exemplo disso, sobretudo porque a fome sempre foi endêmica entre os árabes beduinos no século XIII). O sexo é igualmente explorado com intensidade e isso ocorre em todo o mundo. Mas, em essência, o objetivo primordial é o combate ao prazer, pois, conforme se disse acima, uma sociedade feliz dispensa o pajé.
 
Nos Estados Unidos, onde a constituição proibiu a ocorrência de uma religião oficial do estado ( porque, afinal, cada um dos 13 estados que formaram a União tinham religiões diferentes com mais ou menos igual poder ) as numerosas organizações religiosas se viram em face da premente necessidade de tornar o prazer pecaminoso como grande fonte de renda e hoje em dia suas variadas e enlouquecidas formas de comportamento social chegam ao cúmulo dos conhecidos “escândalos sexuais” dentro da Casa Branca.
 
E, como não podia deixar de ser, logo ali conhecidos religiosos, a chamado do presidente, para , com seu aval, perdoar o ato criminoso do seu prazer sexual. Contudo, as anormalidades do comportamento humano nos Estados Unidos vão ainda mais longe, com o clássico exemplo do chamado “combate ao pecado do álcool” .
 
O ataque às bebidas alcoólicas capitaneados pelas organizações religiosas fundamentalistas, aparentemente sob o hipócrito argumento de impedir que os jovens se viciem, demonstram que o objetivo é exatamente o oposto, quando se constata que os capitais desses numerosos grupos religiosos são aplicados em grandes empresas sob seu controle, conforme é o caso dos conhecidos vinhos da Califórnia de propriedade dos Christian Brothers ou da Schenley em Minnessotta.
 
Em outras palavras, enquanto que pregadores fundamentalistas  e muitos outros levantam sua voz contra o uso do álcool pelos jovens americanos, seu dinheiro está aplicado precisamente nas bebidas que proíbem. Conforme dizia o falecido Senador Estes Kefauver na década de 50... “o puritano é o maior aliado do pornógrafo”.
                       
                 A SOCIEDADE CAPITALISTA SELVAGEM E O USO DE DROGAS
 
 A marcante ( e curiosamente contraditória) característica norte-americana é sua democracia, em que os indivíduos têm a liberdade de devorar os outros e evitar ao mesmo tempo ser devorados. Bill Gates, o genial criador da Microsoft, e possivelmente o mais rico ser humano do planeta, enfrenta diariamente outras poderosas forças que o querem destruir.
 
Em todas as empresas capitalistas dos Estados Unidos o fenômeno é o mesmo. Isso produz uma sociedade que conquanto disponha de abundância de empregos e grande conforto material, é também, uma sociedade de selvagem luta pela vida e pela sobrevivência e onde os níveis de neurose e úlceras são infinitamente superiores ao Brasil, por exemplo.
 
Os desequilíbrios e neuroses e a obsessiva propaganda religiosa contra o prazer produziram, curiosa e paradoxalmente, a novidade de Hollywood, a grande indústria do faz de conta, onde o cidadão norte-americano vai ao cinema para ver na tela seus heróis poderem fazer aquilo que lhe é proibido diariamente.
 
Mas para enfrentar o dia a dia, vê-se esse cidadão constantemente levado a consumir drogas, não apenas por sua enorme campanha publicitária ( onde os pregadores vivem acentuado o prazer desse pecado que os levará ao inferno), mas porque, conforme novamente dizia o Senador Estes Kefauver, “entre o que o povo quer e o que é proibido, tem que haver uma ponte e essa ponte é o crime organizado” . 
 
E desse momento então passam a caminhar de mãos dadas os fundamentalistas, a polícia corrupta e hipócrita, os políticos falsos moralistas e, obviamente, os numerosos grupos religiosos, inclusive aqueles que, por ingenuidade ou desconhecimento da realidade científica demonstrada por Charles Darwin, ainda acreditam em Branca de Neve ou no Papai Noel. Ninguém, salvo uns poucos cientistas, quer compreender que droga se estuda através do reconhecimento de que estamos lidando com uma espécie animal.
 
                                                 A AMEAÇA AO BRASIL
 
No Brasil existe a natural tendência de copiarmos tudo o que procede dos Estados Unidos. Com efeito, na maioria dos casos, tal comportamento parece justificável. Mas há o lado altamente perigoso, sobretudo porque este pode afetar a melhor e mais grandiosa característica brasileira, isto é, a completa ausência do fundamentalismo religioso, com sua avassaladora neurose antiprazer, antissexo e que estamos todos condenados ao inferno. 
 
Alguns argumentam que já existe uma enorme penetração religiosa fundamentalista, conforme se demonstra com o crescente e enorme poder das igrejas neo pentecostais. Mas há um erro. Os chamados crentes se encontram ainda num nível mais baixo de sobrevivência, quando somente os pobres e miseráveis se reúnem em igrejas montadas apressadamente para cansativamente cantar canções religiosas ou aconchegar-se com o acompanhante desespero da falta de emprego.
 
Nem tampouco um “bispo“ brasileiro constitui  muito perigo cultural, porque esse pregador nativo é uma pálida figura quando comparado aos vigaristas do gênero Oral Roberts ou Jimmy Swaggart dos Estados Unidos. Sem dúvida, imagino que esse líder religioso deva dar gostosas gargalhadas nas suas caminhadas aos bancos para depositar o dinheiro que recebe dos desinformados, e que hoje já são milhões.
 
Mas o incentivo às drogas não faz parte da catilinária de tal cidadão. Muito mais perigoso, acredito, é a presença atuante no Brasil da Agência Americana de Combate às Drogas, ou o irresponsável noticiário propagado por repórteres mal informados de estações brasileiras que leem jornalecos de escândalo vendidos em supermercados norte-americanos e depois noticiam os fatos como reportagens verdadeiras.
 
De qualquer forma o que se deve, pelo menos, ficar sabendo é que o crime organizado com sede na Colômbia possui orçamentos vastos de bilhões  de dólares e ninguém, repito, ninguém resiste a esse enorme poder corruptor.
 
Daí que seguirmos o método americano é convidar o desastre. Daí que em nome da ciência e do reconhecimento da realidade, parece-nos que a única via a seguir é adquirir toda a cocaína a preço de custo na Bolívia, liberar sua venda através de receita médica , pois com isso liquida-se o crime organizado, reduz-se ao mínimo o custo policial e das prisões, dos assaltos à mão armada e, o que é ainda mais notável, essa é a única via para a eliminação das drogas tão incentivadas pelos grupos que citei.
 
Afinal, drogas que custam centavos ( pois esse é seu custo real quando livremente fabricadas)   não interessam ao crime organizado, à polícia ou às religiões fundamentalistas. Além do que, aquilo que não é proibido, não é desejado. Você já viu algum criminoso tentar vender vidrinhos de iodo para as crianças na porta das escolas ?
 
                             A SATISFAÇÃO DE UMA NECESSIDADE FÍSICA
 
O indivíduo que consome drogas é um ser animal que busca atender a uma necessidade fisiológica. Ele não usa cocaína ou codeína apenas porque o produto tem cor branca, ou porque ouviu dizer que essas drogas lhe permitem escrever com a mão esquerda ou decifrar um jogo de palavras cruzadas. Numerosas são as razões porque indivíduos se tornam usuários de drogas. A motivação principal é porque, ao experimentá-las, estas lhe produzem, de um modo geral, uma sensação de paz, de alívio de algum tipo de desconforto ou de bem estar.
 
Como estamos tratando de uma espécie animal e não de deuses com dons divinos e especiais, a análise do comportamento humano tem que ser vista e encarada como atendimento a uma necessidade física. Pode-se argumentar facciosamente, que o desejo de vingança contra uma injustiça provoca uma satisfação psicológica ( que é um subproduto de nossa animalidade), mas que nem por isso se justificaria um crime de morte. Mas há aqui uma enorme diferença.
 
O indivíduo que busca um tipo de droga, busca sua satisfação pessoal, sem afetar a vida de ninguém. Nem – parece-me – tem qualquer estado ou organização social o direito de impedir ou intervir negativamente, para que tal necessidade não seja satisfeita. Num recinto policial nazista o delegado poderá negar comida ou água a um preso, mas esse comportamento seria condenado pela sociedade. Da mesma forma, tal como a água que satisfaz a sede, uma dose considerada “ótima” do ponto de vista fisiológico de heroína para um viciado também devolve a esse indivíduo a calma e a tranquilidade ou bem estar que objetiva ansiosamente.
 
Outro motivo porque a sociedade torna a droga criminosa está ligado diretamente aos numerosos fetiches morais ou religiosos, mas estes não possuem nenhum valor científico. Os Mormons condenam severamente o uso do chá ou do café. Judeus não comem carne de porco. Cristãos católicos evitam carne no dia chamado de Sexta-Feira Santa. No entanto nenhum desses “pecados” são condenados pela sociedade mundial como um todo e sim por grupos minoritários o que retira seu caráter de valor universal.
 
No Egito ou na Arábia Saudita, durante o período do Ramadan, um turista corre o risco de ser apedrejado ou possivelmente ser levado preso, se comer um sanduíche na rua durante o mês de jejum do Ramadan. No caso das drogas, ocorrem numerosos outros fetiches, sejam eles provocados por partes interessadas no seu lucro e exploração, seja por políticos que procuram lançar-se como modelos de pureza moral, seja pela polícia que tem interesse em verbas, ou, finalmente, por grupos ignorantes, que inventam lendas sobre coisas que são extremamente simples de solucionar.
 
A única maneira sensata de analisar a utilização de drogas tais como a cocaína, os barbitúricos, as anfetaminas ou os derivados do ópio, é a mesma que ocorre nas leis de controle ao uso de penicilina, isto é, deixar a matéria nas mãos dos cientistas e médicos
 
    EXISTEM FÓRMULAS SENSATAS DE ACABAR COM AS DROGAS PERIGOSAS?
 
            Claro que sim. E a ciência tem uma clara resposta para isso. Quando falamos de drogas, temos, inicialmente, que observar que umas provocam dependência psicológica ( como o cigarro) e dependência FISIOLÓGICA, como os derivados do ópio ( morfina, codeína, heroína), os barbitúricos e a cocaína. Na primeira, se a droga for retirada, não ocorre no organismo nenhum estado de desespero fisiológico. No caso das drogas que produzem dependência fisiológica, o viciado tem suores, tem febre, fica doente, nervoso, agressivo, incontrolável.
 
Nos Estados Unidos, cercado pelo poder imenso dos grilhões de um fundamentalismo religioso fanatizado, ignorante e corrupto, hipocritamente inventou-se um produto “supostamente” destinado a “eliminar” a heroína. E assim foi produzida a metadona, que passou a ser utilizada pelos hospitais, também supostamente com o objetivo de se tentar “curar” o vício da heroína. E o que ocorreu?
 
Como tudo o que é hipócrita, a verdade logo surgiu: simplesmente retiraram do paciente uma droga perigosa, substituindo-a por outra, mas com nome oficialmente “descriminalizado”. Mas o problema PERMANECEU IGUAL E ISSO PORQUE A METADONA PRODUZ IDÊNTICOS RESULTADOS DE DEPENDÊNCIA. E também conforme se esperava, os doentes, tão logo eram considerados “curados”, saiam do hospital e logo buscavam novamente a heroína, que não apenas lhes devolvia o prazer ( de muito menor intensidade como a metadona - pois o objetivo era retirar o prazer, isto é, o pecado), como os levava de volta ao tráfico de vendas da heroína, uma profissão altamente lucrativa.. 
 
Mas o que é importante observar, acima de tudo, é que o desenvolvimento do interesse por tais drogas não constitui um produto acabado por si próprio. As pessoas que derivam para o uso das chamadas drogas proibidas fazem-nas porque vivem em condições geralmente miseráveis, estejamos nós falando de pobres que não encontram trabalho ou são discriminados por sua cor, mas igualmente dos milionários que - tal como ocorreu com Marylin Monroe - foram elevados a posições sociais onde as tensões sociais são intoleráveis e incontroláveis ( como foi também o caso de numerosos artistas de Hollywood como Ava Gardner, por exemplo).
 
O leitor deve certamente conhecer pessoas que são o modelo do equilíbrio e da sensatez, como de pessoas neuróticas, agressivas, violentas, que se tornam incontroláveis com uma garrafa de cerveja ou com duas doses de whisky. Estas últimas são presa fácil para as drogas e as primeiras não. Deve-se levar em conta, igualmente, conforme detalhamos acima, o imenso poder da propaganda, como é o caso das reportagens escandalosas e as pessoas fracas logo correm para as drogas, porque sabem, pelos jornais ou pela televisão, que algo deve ser muito bom , da mesma forma que todos corremos quando um super mercado nos anuncia uma sensacional liquidação de um produto qualquer.
 
Ou ainda quando os mais apavorados, ouvindo falar de que se aproxima um ciclone na Flórida, correm como desesperados para encher sua geladeira de produtos alimentícios com medo de que a comida vá acabar.
 
Assim a única solução sensata, segundo argumentavam e argumentam os grandes cientistas ( que são detestados pela polícia, pela religião, pelo moralismo vigente ou pelo crime organizado que usa imensa verbas para atacá-los) é completamente legalizar o uso de todas as drogas, dando-lhe o mesmo caráter que hoje se emprega para o fornecimento de remédios controlados por receita médica. Um dos mentirosos, ignorantes ou hipócritas argumentos empregados pelos malandros e ingênuos que nada sabem, é que legalizar as drogas, significa deixar a porta aberta, que assim será utilizada pelos jovens, para viciar-se rapidamente.
 
Mas essa afirmativa é completamente falsa, baseada no que foi dito antes, isto é, de que o iodo é completamente livre, e ninguém se vicia com ele. As pessoas que normalmente ( a imensa maioria) vivem com sua vida bem organizada, receberam bons princípios morais, têm emprego e não necessitam de assaltar ninguém nas ruas, jamais pensam em tomar drogas, da mesma forma que o leitor não está pensando em procurar cocaína porque tem uma dor de cabeça.
 
Somente aqueles poucos que descrevi mais acima, são os que poderiam sentir-se tentados em viciar-se. Mas se a imprensa ignorar as drogas como motivo de escândalo ( E PROPAGANDA INDIRETA DAS PRÓPRIAS DROGAS), se tais drogas forem prescritas por médicos; se o governo se encarregar de produzí-las (a ridículos preços, porque isto é o que tais drogas verdadeiramente custam), o resultado imediato será a completa eliminação de noventa por cento dos crimes nos Estados Unidos e por volta de 75% dos crimes no Brasil.
 
Afinal de contas, bastando apenas ler o noticiário do que ocorreu durante o largo feriado do carnaval de 1999, mais de 800 pessoas foram assassinadas em todo o Brasil e destas, segundo a própria polícia, 75% devido ao problema das drogas proibidas e das vastas somas de dinheiro envolvidas. Enfim, conforme afirmava o professor Carl Sagan numa conferência em que fui seu tradutor para o espanhol, em Washington, nós vivemos num jardim zoológico humano, observando um comportamento completamente anormal e as drogas são o sub-produto dessas loucuras, das quais, com grande esperteza e sabedoria, sabem aproveitar-se os líderes religiosos fundamentalistas, a polícia, os grupos moralizadores, todos de mãos dadas, com o próprio crime organizado que controla um orçamento igual ao do Brasil.
 
Informações sobre o autor:
 
Nascido no Brasil, o Jornalista Mário Giudicelli é Mestre em Sociobiologia (a ciência que estuda as formas de comportamento de todos os seres vivos, inclusive das plantas) – Universidade de Connecticut, 1973.
Trabalhou por mais de 20 anos na Drug Enforcement Administration, a Agência Federal dos Estados Unidos de Controle e Policiamento de Drogas. Funcionário da Casa Branca,durante 12 anos, foi tradutor simultâneo dos Presidentes George Bush (pai) e Ronald Reagan. Entrevistou inúmeras celebridades como os artistas Kirk Douglas, Clint Eastwood, John Wayne, o diretor Alfred Hitchcock, a atriz Jane Fonda e vários outros; o Presidente Arthur da Costa e Silva, inúmeros deputados, senadores, jornalistas, cientistas de vários países da América Latina; o General Perón (em 1947), Che Guevara, Fidel Castro, Jânio Quadros, Ludwig Erhart da Alemanha Ocidental, Gamal Abdel Nasser, Presidente do Egito, de quem foi tradutor simultâneo durante cinco anos. Foi locutor da Rádio do Cairo ( entre 1957 e 1962 ) e da Voz da América ( entre 1973 e 1974). Tornou-se amigo do cientista alemão Werner Von Braun com quem gravou uma das mais interessantes entrevistas sobre o destino da humanidade (a entrevista com o Dr, Von Braun está disponível para quem desejar uma cópia ). Giudicelli foi correspondente de guerra no Terceiro Exército do General George Patton, entre dezembro de 1945 e maio de 1946; foi correspondente no Tribunal de Guerra em Nuremberg, durante um ano e meio, sendo o único jornalista, ainda vivo, que esteve presente em todo o julgamento dos criminosos nazistas.
 
Release para Imprensa
 
 

 


 


 
 
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