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A primeira e última cruzada

Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 

 A PRIMEIRA E A ÚLTIMA CRUZADA

 

                           .   Texto de MÁRIO GIUDICELLI

                               Agosto de  2007

 

             Quero explicar aos  meus habituais leitores algo muito sério que está ocorrendo atualmente no Oriente Médio. Para que possa haver um entendimento mais ou menos completo e perfeito  sobre o enorme drama que nossa geração vive hoje em dia, depois que foi eliminada a Cortina de Ferro e o chamado ”perigo comunista”, considero  extremamente importante que eu lhes recorde  da Primeira Grande Cruzada ocorrida em 1097, isto é, há praticamente mil anos . Como se trata de uma crônica escrita para leitores de um jornal, (e estes poucos sabem por falta de informação do que teria ocorrido nessa Primeira Cruzada, tão distante de nossa espoca atual ) torna-se imperativo que eu simplifique os fatos da maneira mais simples, de vez que essa guerra religiosa que se estendeu por mais de 300 anos, na verdade exigiria vários livros. Conto com a paciência do leitor, pois estou certo que ele se convencerá como este trabalho lhe dará uma visão completa de uma situação conflitiva atual que poucos realmente entendem, ou então pela enorme confusão de informações recentes e dados poucos confiáveis, chegam ás mais estapafúrdias conclusões, tal  como chegaram ‘aqueles milhares de seres que se mataram há pouco mais de mil anos, num dos episódios mais tristes e vergonhosos de nossa história universal.

   

A IGREJA CATÕLICA DA IDADE MÉDIA

 

       Na época em que surgiu inicialmente a idéia de uma cruzada contra os muçulmanos,  não havia como hoje uma série de nações plenamente estabelecidas na Europa. Existiam castelos, populações, imperadores de várias provincias, entre eles os que eram conhecidos como reis ou dirigentes políticos e ou religiosos. Acima de todas essas populações e reinos, havia uma imensa maioria de católicos, regidos por um Papa em Roma, e alguns pequenos grupos de judeus, mais ou menos tolerados. Em meio a essa confusão de dirigentes políticos, ocorriam sempre constantes guerras e batalhas, que impediam uma paz  por toda a Europa. Na época em que surgiu a Primeira Cruzada, reinava soberano o Papo Urbano II, que era verdadeiramente mais um político, do que o representante de uma fé religiosa. Simplificando  sua estória, Urbano II desejoso de maior poder e prestigio, ao mesmo tempo que era um brilhante orador e político, conclamou por toda a Europa a necessidade de levar o cristianismo para  as áreas distantes,  sobretudo Jerusalém, que havia caído nas mãos  dos dirigentes turcos muçulmanos, já há mais de uma centena de anos.  Afinal, dizia |Urbano II,  era intolerável que  o local  onde viveu Jesus Cristo estivesse em mãos de infiéis brutais. Além disso, ele prometeu e tornou público aos seus soldados seguidores, que todos os que o seguissem teriam seus pecados  perdoados completamente e os mortos seguiriam direto para o céu.        Entusiasmado pela monumental fala do dirigente católico, um líder político que vivia na Franca, Godofredo de Bouillon, logo se empenhou na organização de um poderoso  “exército” , pronto para se lançar contra os muçulmanos tão distantes. Com esse objetivo em vista e levando-se em consideração que as massas estão sempre prontas a seguir qualquer líder carismático, Godofredo de Bouillon rapidamente reuniu um exército de mais de 150 mil soldados, isto é, mais de 150 mil seres, posto que famílias inteiras seguiam seus maridos, inclusive levando  menores, esposas e, até mesmo gado. Lançaram-se a pé numa excursão de mais de l.500quilòmetros, que representam  três vezes a distância entre o Rio de |Janeiro e São Paulo.

Tratava-se então de enormes grupos de  cidadãos das várias regiões européias, todos unidos pela chama da sua fé católica

       Assim, depois de cerca de 3 anos, atingiram a cidade hoje conhecida como |Istambul ( ou então Constantinopla ) que era o ultimo reduto cristão mais próximo á cidade de Jerusalém,  uma região não de católicos, mas de  cristãos ortodoxos, isto é, que se consideravam católicos, mas sob a direção de um poder político  diferente,  de um Papa grego-ortodoxo denominado de Alexis. Após a grande confusão provocada pelo novo enxame de europeus que haviam chegado, e que já mostravam seu animalesco instinto de possuir propriedades ou roubar os habitantes locais,   grande quantidade de cidadãos passou para a lado esquerdo do canal que separava a Constantinopla européia da Constantinopla asiática,  entrando então, pela primeira vez, em território dominado pelos turcos. Estes, que viviam em paz normal com seus habitantes judeus e cristãos, aceitaram a chegada dos invasores, sendo, em pouco, tempo  assassinados pelos recém-chegados, criando no mundo muçulmano a horrível impressão de que seu mundo estava sendo invadido, não por uma religião pura, mas por um grupo de assassinos e opressores.

             Essa primeira cruzada, que se caracterizou pelas demonstrações de brutal matança e crueldade, até mesmo com seus companheiros gregos ortodoxos, terminou por causar o assassinato de milhares de muçulmanos e judeus dentro da própria pacata e calma cidade de Jerusalém. Consequentemente, a expressão “Cruzadas” soa, até hoje, aos ouvidos  de todo habitante do Oriente Médio,. sobretudo  de muçulmanos, como uma aterrorizante expressão da brutalidade e crueldade humanas..

 

            A SEGUNDA  MODERNA CRUZADA

 

       Temos todos ouvido falar e lido nos jornais sobre as mais cruéis revelações da brutalidade dos soldados americanos e ingleses, durante a chamada guerra  contra  oAfganistão e o Iraque. Curiosamente, o sr. George Bush, presidente de um país essencialmente dominado pela ética puritano protestante,   tem seguidamente declarado que os Estados Unidos estão empenhados numa nova Cruzada e quero imaginar que tal termo, que para o Ocidente não significa muita coisa, sobretudo se ligada ás verdadeiras Cruzadas iniciadas a partir  da última ~década do ano 1.000, que retratam o   horror das brutalidades cometidas e lançadas pelos vários |Papas no Oriente Médio. Isso, a meu ver,  mostra ao mundo do ocidente que o que parece  ocorrer com os atuais dirigentes muçulmanos e, mais  especialmente com os lideres organizados  na defesa de sua religião, é que os Estados Unidos, representando o novo Papa Urbano II, tencionam  lançar seus soldados protestantes contra as várias cidades “jerusalêmicas” como Bagdad,Karachi, o Cairo,  para livrá-las dos ”infiéis”  anti-Cristo. Com a diferença que os componentes de hoje incluem a bomba nuclear e o terrorismo islâmico, que, ao derrubar os dois altos edifícios em |New York, no dia 11 de setembro, exibem  uma mistura muito mais perigosa  do que as flechas e arcos de Godofredo de Boiullon.

Informações sobre o autor:

Nascido no Brasil, o Jornalista Mário Giudicelli é Mestre em Sociobiologia (a ciência que estuda as formas de comportamento de todos os seres vivos, inclusive das plantas) – Universidade de Connecticut, 1973. Trabalhou por mais de 20 anos na Drug Enforcement Administration, a Agência Federal dos Estados Unidos de Controle e Policiamento de Drogas.

Funcionário da Casa Branca,durante 12 anos, foi tradutor simultâneo dos Presidentes George Bush (pai) e Ronald Reagan. Entrevistou inúmeras celebridades como os artistas Kirk Douglas, Clint Eastwood, John Wayne, o diretor Alfred Hitchcock, a atriz Jane Fonda e vários outros; o Presidente Arthur da Costa e Silva, inúmeros deputados, senadores, jornalistas, cientistas de vários países da América Latina; o General Perón (em 1947), Che Guevara, Fidel Castro, Jânio Quadros, Ludwig Erhart da Alemanha Ocidental, Gamal Abdel Nasser, Presidente do Egito, de quem foi tradutor simultâneo durante cinco anos. Foi locutor da Rádio do Cairo ( entre 1957 e 1962 ) e da Voz da América ( entre 1973 e 1974).

Tornou-se amigo do cientista alemão Werner Von Braun com quem gravou uma das mais interessantes entrevistas sobre o destino da humanidade (a entrevista com o Dr, Von Braun está disponível para quem desejar uma cópia ). Giudicelli foi correspondente de guerra no Terceiro Exército do General George Patton, entre dezembro de 1945 e maio de 1946; foi correspondente no Tribunal de Guerra em Nuremberg, durante um ano e meio, sendo o único jornalista, ainda vivo, que esteve presente em todo o julgamento dos criminosos nazistas.


 


 
 
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