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As Aventuras Brasileiras em Miami - Primeiro Capitulo

Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 


                      A PRISÃO DE UMA BRASILEIRA EM MIAMI

 

                                         Texto de Mário Giudicelli

 

 

                   A moça  era mineira de Governador Valadares e se chamava Ana Maria. Tinha 32 anos, nem bonita, nem feia, educação escolar média, ingênua, aventureira, trabalhava como funcionária ganhando cinco salários numa uma agência do governo estadual, nunca tinha saído de sua cidade, com exceção de uma vez quando foi ao Rio e ficou maravilhada com o mar. Como toda moça sonhadora, conheceu um carioca insinuante, foi na sua conversa, apaixonou-se e três dias depois voltou amargurada para Governador, porque o carioca queria apenas divertir-se e   a jovem mineira levava consigo em sua inocência, o pior dos pecados para quem deseja  conquistar um marido : sonhava por um lar com cinco filhos.

                   Mas ela também tinha outros sonhos  igualmente divertidos: via muitos programas de TV enlatados e imaginava   que os Estados Unidos eram o paraíso, onde os homens eram sérios, lutavam contra o mal, derrotavam os bandidos, as ruas estavam pavimentadas de ouro e nas lojas podia se comprar tudo a um preço bem menos do que a metade do que se pagava no Brasil. E tomou a decisão “vou para os Estados Unidos!”.

                   Como tinha umas modestas reservas que guardava em dólares e uma carta do empregador certificando que a moça ia aos Estados unidos de férias, conseguiu seu visto,  tomou o avião num sábado e no domingo de manhã desembarcou em Miami. Só que em sua santa ingenuidade,  cometeu um pequenino erro muito sério : gentilmente aceitou levar um pacote de um senhor simpático no Galeão para ser entregue a um senhor  “doente” que a esperaria na saída do aeroporto em Miami. Muito bem empacotado e com uma etiqueta externa citando o nome de uma farmácia do Rio, a moça nem desconfiou. Colocou-o na bolsa,  viajou tranqüila e ao passar pela Alfândega,  teve o raro azar de  ter que abrir as malas e a bolsa de mão. E aí foi o desastre! O inspetor americano  abriu o pacote em sua bolsa e...    “surprise” !  surprise” !,  Ana Maria estava transportando coisa de meio quilo de cocaína. E não deu outra : foi mediatamente algemada e levada presa incomunicável para um salão, onde outras inspetores e agentes   e submeteram a um interrogatório, que ela absolutamente não entendia. Primeiro porque não percebia quase nada do espanhol cucaracha de uma cubana funcionária do aeroporto. Segundo porque horrorizada, assustada e enfurecida consigo mesma pela estupidez que havia cometido em sua santa inocência de mineira do interior sem experiência, caiu em pranto incontrolável e ai mesmo a coisa ficou mais confusa.

                   O inspetor da Alfândega e seu superior, numa conversa posterior comigo, contaram-me que a moça havia agido com tanta naturalidade e seu ar de surpresa era tão autêntico, que  os dois  quase que se convenceram que a moça tinha sido vítima de algum espertalhão. O que a salvou foi uma série de fatos inesperados, nada relacionados com seu problema pessoal.

                   Eu tinha ido naquela manhã ao aeroporto de Miami a serviço do Departamento de Estado, para receber um  deputado,  convidado oficial do governo americano e como cheguei duas horas antes do desembarque dos passageiros de um  avião da VARIG, estava sentado no salão do chefe da Alfândega fazendo hora, quando me dei conta da confusão armada pela prisão da jovem mineira. Não demorou muito para que o inspetor encarregado do caso soubesse da informação de que ha poucos metros dali se achava um intérprete oficial do Departamento de Estado , tranqüilamente lendo um exemplar do Miami Herald.  

--  “Sir”, disse ele, temos um problema”. E a seguir me contou a estória, pedindo se eu podia ajudar na comunicação com a mineira que só sabia dizer “Yes sir”e “thank you“ em inglês. Expliquei ao inspetor que tinha duas horas livres enquanto não chegava o meu deputado brasileiro  e me dirigi então para o xadrez onde Ana Maria, em total pranto e nervosismo parecia que ia desmaiar.

                   Contudo, como disse, os mineiros parecem ser mais sortudos, além do que parecem transmitir com transparência  sua sinceridade quando estão realmente inocentes.  Por outro lado, depois que ela contou toda a estória através de minha interpretação simultânea, o Inspetor Chefe  decidiu ir mais adiante. Admitindo sempre a hipótese que Ana Maria pudesse estar mentindo ( afinal, a possibilidade sempre existia), sugeriu que Ana Maria fosse levada para o saguão central e corredor de saída do aeroporto, embora acompanhada por dois policiais à distância em trajes civis, a fim de procurar identificar o indivíduo a quem teoricamente deveria entregar o pacote com a cocaína. Outro fator de sorte foi que, entre sua prisão, e o terem me encontrado na Alfândega no momento preciso e o interrogatório  de Ana Maria agora com interpretação simultânea, tudo transcorreu em menos de 40 minutos, de modo que o  indivíduo que a esperava no aeroporto para receber a droga,  nunca se deu conta de que ela tivesse sido apanhada pela alfândega. Ana Maria saiu da prisão e caminhou pelo corredor já transportando a droga, mas dentro do vestido levava também um pequeno microfone de alta sensibilidade colocado em seu corpo pela própria Alfândega.n

                   Outro fator de sorte foi que quando Ana Maria começou a poder se comunicar com o inspetor que a havia prendido, ela lentamente readquiriu um pouco de calma e prontificou-se a cooperar com essa autoridade para tentar apanhar o contrabandista que a esperava.  Ana Maria, assim, atravessou  o saguão e parou na porta de saída. Em menos de dois minutos surgiu um homem que a abordou, identificando-se como a pessoa que esperava o pacote.  Sorridente, ele ofereceu-se para levá-la de carro para o centro da cidade, colocando a seguir o pacote que havia recebido de Ana Maria numa pequena bolsa que carregava. Nesse momento os policiais, que disfarçadamente fingiam ler um jornal ao lado, cercaram o suspeito e o prenderam.  Ana Maria e ele foram encarcerados e uma audiência perante o juiz foi marcada para o dia seguinte no Departamento Polícia no centro de Miami. Meu visitante, que chegou duas horas depois, interessado pelo caso, resolveu deixar temporariamente de lado seu programa e fez questão de me acompanhar perante o juiz . Amanhã contarei  o que sucedeu depois.

Informações sobre o autor:

Nascido no Brasil, o Jornalista Mário Giudicelli é Mestre em Sociobiologia (a ciência que estuda as formas de comportamento de todos os seres vivos, inclusive das plantas) – Universidade de Connecticut, 1973. Trabalhou por mais de 20 anos na Drug Enforcement Administration, a Agência Federal dos Estados Unidos de Controle e Policiamento de Drogas.

Funcionário da Casa Branca,durante 12 anos, foi tradutor simultâneo dos Presidentes George Bush (pai) e Ronald Reagan. Entrevistou inúmeras celebridades como os artistas Kirk Douglas, Clint Eastwood, John Wayne, o diretor Alfred Hitchcock, a atriz Jane Fonda e vários outros; o Presidente Arthur da Costa e Silva, inúmeros deputados, senadores, jornalistas, cientistas de vários países da América Latina; o General Perón (em 1947), Che Guevara, Fidel Castro, Jânio Quadros, Ludwig Erhart da Alemanha Ocidental, Gamal Abdel Nasser, Presidente do Egito, de quem foi tradutor simultâneo durante cinco anos. Foi locutor da Rádio do Cairo ( entre 1957 e 1962 ) e da Voz da América ( entre 1973 e 1974).

Tornou-se amigo do cientista alemão Werner Von Braun com quem gravou uma das mais interessantes entrevistas sobre o destino da humanidade (a entrevista com o Dr, Von Braun está disponível para quem desejar uma cópia ). Giudicelli foi correspondente de guerra no Terceiro Exército do General George Patton, entre dezembro de 1945 e maio de 1946; foi correspondente no Tribunal de Guerra em Nuremberg, durante um ano e meio, sendo o único jornalista, ainda vivo, que esteve presente em todo o julgamento dos criminosos nazistas.


Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 

 (Segundo capítulo)

 

                             A PRISÃO DE UMA BRASILEIRA EM MIAMI

 

 

          Contei na matéria anterior a prisão de Ana Maria, uma mineira ingênua de Governador Valadares, que entusiasmada pela atração dos Estados Unidos, conseguiu um visto, levou algum dinheiro para tentar a vida, concordou  sem qualquer suspeita em levar um pequeno pacote supostamente contendo medicamentos  de uma pessoa que a abordou no aeroporto do Galeão e para ser entregue a alguém que a procuraria na saída do aeroporto dessa cidade da Flórida e ao passar a Alfândega em Miami e ser casualmente revistada, constatou-se que ela transportava um pequeno pacote contendo cerca de meio quilo de cocaína. Com isso ela foi presa,  e como me achava casualmente no aeroporto para receber um visitante oficial do governo americano, pediram minha ajuda, servi de intérprete,  armaram uma situação para que Ana Maria chegasse até a porta do aeroporto para tentar identificar a pessoa a quem deveria entregar o pacote e logo depois de preso, esse senhor e a própria Ana Maria seguiram para a prisão no centro da cidade, onde, no dia seguinte, seu caso seria examinado por um juiz, que determinaria o caminho a seguir. A continuação de hoje começa no momento em que ela foi inquirida pela autoridade policial e pela justiça americana.

 

                             INGENUIDADE E BOM SENSO

 

          Vários aspectos contribuiriam para que Ana Maria não ficasse vários anos na cadeia. Os inspetores da Alfândega, chamados para testemunhar, explicaram o ocorrido, embora também afirmassem que, experimentados que eram no processo de contrabando de drogas,  tinham a impressão de que Ana Maria tinha sido enganada por um contrabandista de drogas.        Contaram que ela havia colaborado para identificar a pessoa a quem deveria entregar o pacote com cocaína e como levava no corpo um microfone escondido, verificou-se igualmente que a gravação comprovava que ela havia sido um correio inocente. Por outro lado, uns quinze minutos antes da audiência,  chamaram-me para conversar com o juiz e nesse ocasião sugeri-lhe, para mais facilidade  e andamento do caso, que eu fizesse interpretação simultânea da conversa das autoridades com  Ana Maria, uma vez que esta não sabia senão meia dúzia de palavras em inglês. Ao saber de minha profissão de funcionário contratado do Departamento de Estado e de jornalista profissional  que sempre escreveu sobre o problema de drogas, o juiz manifestou interesse em conhecer a situação do problemas de drogas no Brasil, ficando agradavelmente surpreso por descobrir que, em termos práticos e em comparação com os Estados Unidos as drogas chamadas pesadas (cocaína e heroína) não tinham realmente relevância em pequenas cidades como Governador  Valadares. O traficante preso, por outro lado, acabou por admitir que  Ana Maria havia sido trapaceada, além também de ter revelado a cadeia deaneis de seus negócios com drogas na Flórida via Brasil.

 

-- Nossos homens Brasil”- disse ele - “sabem que os brasileiros nada entendem de drogas,  são geralmente amáveis e sempre prontos a fazer um favor mesmo para um desconhecido. Por isso sempre que podemos usamos correios ingênuos e a maior parte da droga passa com facilidade”.

                   Ora, para encurtar a história, o juiz mandou libertá-la, mas igualmente determinou que  fosse expulsa do país e embarcada na mesma noite para o Rio de Janeiro, tendo Ana Maria assinado um termos de responsabilidade, declarando que jamais tentaria voltar aos Estados Unidos. E assim terminou a aventura americana dessa ingênua mineira da cidade de Governador Valadares, a cidade conhecida como a que mais exporta brasileiros para os Estados Unidos. Daí que minha observação final é esta para o leitor que pretender visitar este país: Jamais aceite qualquer pedido para levar pacotes ou pequenos objetos em sua maleta de mão. Você pode ser vítima de caso idêntico ao de Ana Maria.


 


 
 
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