Sociobiologia>As Drogas e o Jeito Brasileiro

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As Drogas e o Jeito Brasileiro

Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 

 

            AS DROGAS E O “JEITO” BRASILEIRO

 

                                               Texto de Mário Giudicelli

                                      Janeiro de 1996

 

Tenho que confessar aos meus leitores bem humorados que vir periodicamente ao Brasil de férias é realmente uma pândega. Habituado a conviver há 40 anos com o que conhecemos comumente como a “Ética puritano protestante” nos Estados Unidos, em que o comportamento do ser humano atingiu seu mais alto nível de desequilíbrio mental ( afinal, para dizer a verdade, todas as nações exibem, cada uma a sua maneira, alguma forma de comportamento social enlouquecido – e ai está o Afeganistão para comprovar o que digo ) é preciso reconhecer que em nenhuma outra nação do mundo  há uma tão perfeita associação e entendimento entre o que é proibido e o desejado, entre a realidade animal do homem e o obsessivo esforço dos moralistas em querem comprovar inutilmente todos os dias que somos seres divinos e especiais. Essa é, sem dúvida, a razão porque o falecido senador Estes Kefauver, em 1950, afirmava com sabedoria, que  “o maior aliado do pornógrafo... é o puritano”. 

            Nos Estados Unidos, graças a sua deliciosa formação protestante em que o doentio calvinismo vive de mãos dadas com o terror do fundamentalismo de Lutero, os americanos simplesmente  vivem permanentemente às turras sem jamais encontrar uma solução para o fenômeno social das drogas. Faço esses comentários, porque além de professor de sociobiologia (a ciência do comportamento) em universidades americanas , jornalista para comentar os eventos e intérprete simultâneo de conferências do Departamento de Estado durante os últimos 35 anos, fui também emprestado dezenas de vezes para a Agência de Combate às Drogas ( que não combate nada e sim contribui diretamente para o maior consumo das chamadas drogas perigosas) e ainda de lambuja ajuda e contribui enormemente para que as demais nações da América do Sul se envolvam com cocaína e outras delícias proibidas e condenáveis, provocando então uma tremenda confusão entre os nativos, que cada vez entendem menos o que está sucedendo e isto porque as causas que levam certos grupos sociais a tomarem a tão desejada droga simplesmente não existem no Brasil  .  Ao vir periodicamente ao Rio e São Paulo, entretanto, vejo com alegria que aqui a maravilhosa invenção do “jeitinho”, se não eliminou o mal, pelo menos retirou desse corrupto cenário, a  enferma neurose americana do desespero pelas variadas formas de sentir prazer amalucado. Ingênuos e desinformados ( como aliás ocorre com todos os povos ) e levados a consumir drogas porque seus agentes (  moralidade pública,  crime organizado, polícia, igrejas, salvadores da pátria e o grande alvo final, o público ignorante ) estão todos, e como sempre,  de mãos dadas para enriquecer um vasto grupo de criminosos, que cada vez estão mais ricos e poderosos.

            Mas no Brasil a coisa é diferente e mais inteligente. Começa que  o brasileiro ainda não se corrompeu com a idiotizada ética puritano protestante, que vive nos Estados Unidos azucrinando seus ouvidos de que vamos todos para o inferno e que Deus não dá um tostão por sua alma. Depois temos o carnaval e a deliciosa mulata Globeleza, com isso desmistificando  a “sujeira” da sexualidade tão insistente e tolamente comprada pela ingenuidade norte-americana, que acha que sexo é uma invenção do demônio. É claro que temos possivelmente uns 30 milhões de pobres e desgraçados, mas aqui há duas considerações a levar em conta. Primeiro que pobre e miserável não contam, porque a classe dominante não toma conhecimento deles ( isto é,  os ricos, a polícia, a justiça, as igrejas, etc) . Segundo, porque como a sexualidade é livre, pelo menos os pobres se divertem a valer fazendo filhos por todo lado e assim  a miséria e a falta de emprego não levam  praticamente ninguém às drogas. Levam sim a aumentar enormemente a vasta população de miseráveis, o que nada tem a ver com heroína ou cocaína. Finalmente,

porque pobre favelado não se mete a besta em envolver-se com um produto caro, que é feito para ser consumido por ricos americanos. Afinal, brincadeira tem hora.

            Ora, o que ocorre então ? Uma maravilha de medidas inteligentes. Ou, conforme se diz em inglês : “you don’t bother me; I don’t bother you “ --  Enquanto você não se meter comigo,  eu não me meto com você – Traduzido para o português prático de quem convive com a questão das drogas há décadas,  você deixa livremente que os agentes do D.E.A ( Drug Enforcement Administration) divirtam-se passeando pelo Brasil e tentando meter na cabeça de ingênuos que o Brasil corre um grave perigo. Segundo, porque uma boa parte da polícia tem coisas mais importantes para fazer do que vigiar a passagem de droga pelo país a caminho do público rico que tem dinheiro para comprar drogas nos Estados Unidos. Além disso, não só o crime organizado paga muito bem pelo silêncio, como porque seus redutos de esconderijo ( favelas, por exemplo) são inacessíveis a policiais com pistolas que não seriam loucos de enfrentar bazucas e metralhadoras. Quarto, porque a mídia e os moralistas religiosos nada entendem de drogas e se metem a falar de coisas para o que não têm competência. Quinto, porque o que sobra dos lucros das remessas de cocaína para os Estados Unidos, é vendido a preço banana para garotada jovem nas escolas ricas do Rio e São Paulo, muito mais pela farra de experimentar a coisa proibida, do que pela motivação neurótica que ocorre entre os estudantes nos Estados Unidos, de igual idade. Em outras palavras, sem a ética puritano protestante, é impossível corromper definitivamente o brasileiro a tomar drogas. Sem dúvida, que o brasileiro de classe média para cima não é burro e aprende nos filmes enlatados feitos em Hollywood , onde se comprova a delícia do crime proibido do uso de drogas. Mas enquanto as igrejas protestantes não inventarem uma forma eficiente de importar para o Brasil o desespero e o ódio contra o sexo e não  conseguirem convencer o carioca ou paulista de que vão mesmo parar no inferno ( afinal nós já vivemos dentro dele e a coisa não é tão ruim assim) eu tenho minhas sérias dúvidas de que o puritanismo yankee consiga convencer o brasileiro a tomar drogas. O “jeito” nativo é o melhor antídoto anti-drogas. Afinal, a despeito do desesperado esforço dos pregadores fundamentalistas americanos do e outros, que encontraram no Brasil excelentes testas de ferro do gênero dos  que vivem por ai nas nossa telas de TV  tomando dinheiro dos incautos, podem confiar meus leitores : o Brasil nunca será uma nação de drogados. As praias, o carnaval, o sexo, a miséria controlada pelos ricos, o clima e o jeitinho são os melhores antídotos contra essa enfermidade exclusivamente norte-americana.

 

NOTA ADICIONAL ESCRITA NO ANO DE 2010, ISTO É, 14 ANOS DEPOIS QUE ESCREVI O COMENTÁRIO ACIMA

 

Passaram-se 14 anos depois de ter escrito o comentário acima e nesse  meio tempo ocorreu um fato que eu não havia pensado, posto que eu vivia dentro da sociedade americana, e, por isso,  não me apercebi do que ocorria em torno de mim. O assunto é o seguinte. Passemos para o próximo parágrafo

 

     O ´PODER DE INFLUÊNCIA DOS NORTE-AMERICANOS

 

Eu simplesmente  não me havia dado conta do enorme ´poder de penetração da influência norte-americana no Brasil. Em, primeiro lugar, a ciência dessa nação é muito poderosa,c e não demorou muito para que  pessoas  capazes nos Estados Unidos fabricassem o ”crack” no laboratório,   assim reduzindo os enormes problemas que é importar a cocaina da América do Sul com seus enormes custos. Fabricar o crack é brinquedo  para os grandes laboratórios nos Estados Unidos e seu custo é baixissimo.

 

Em segundo lugar , dada a estupidez e desinformação de grande parte do Congresso brasileiro, os deputados e senadores não se deram conta, ainda, de que o grande, o maior problema nacional, é apenas um, e, enquanto, este não for solucionado, o país caminha para o desastre, como aliás já está acontecendo, isto é, com  a maior necessidade de energia elétrica, com  um aumento imenso de pessoas que precisam comer, que não têm emprego, com falta de transporte, de casas, de tudo enfim ...esse problema é a imensa explosão populacional.  De 1945, quando eu tinha 20 anos, para hoje, a população brasileira subiu de 40 para 195 milhões de pessoas e esse número é imenso, é enorme e toda essa gente precisda comer,  ter residência, ter empregos, ter um pouco de felicidade, enfim. Mas com uma religião  completamente egoísta, idiótica, e dominante, tem-se sempre impedido todos os esforços para que não continuemos a propagar a estupidez de termos filhos, O resutado direto é que o numero de miseráveis ou quase miseráveis que existem hoje no Brasil é imenso e essa gente tem as mesmas necessidades que todos temos, e, nada tendo para atender a tais necessidades,  encontra no consumo barato do crack uma forma de escapar da realidade de suas trágicas vidas. São esses os problemas que levam  tanta gente a acomodar-se debaixo de pontes ou locais escondidos para  fumar crack e nenhum governo soluciona tais problemas prendendo milhares de consumidores que nada mais objetivam senão fugir da realidade que o pais lhes impõe. E esse problema, é muito, mas muito mais sério do que nossa preocupação com a idiótica ética puritano protestante, trazida por esses pregadores que azucrinam nossos ouvidos diariamente pela televisão. Precisamos, como na China, impedir que a população brasileira aumente.

 

 

 


 


 
 
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