Sociobiologia>O estranho idioma falado no Brasil

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O estranho idioma falado no Brasil

Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 

 

O ESTRANHO IDIOMA FALADO NO BRASIL

 

 

                                                Texto de Mário Giudicelli

 

 

                   Nas minhas andanças pelo mundo nestes últimos 50 anos, tenho sido testemunha dos mais curiosos fatos, muitos dos quais já contados em matérias anteriores para os meus dedicados 28 leitores. O Brasil, da mesma forma que muitas outras nações, oferece-nos igualmente divertidas características, possivelmente melhor apreciados por todos nós que vivemos no exterior e um dos seus mais interessantes detalhes é o curioso idioma que encontramos nas numerosas regiões brasileiras. Neste sentido, inclusive, existe alguma curiosa semelhança com o que observei nos Estados Unidos, nação onde tenho residido a maior parte do meu tempo profissional de jornalista. A principal diferença, entretanto, é que embora os norte-americanos igualmente assassinem impiedosamente seu próprio idioma inglês quando reunidos em grupos em cada um de seus cinquenta estados, pelo menos em termos de meios de comunicação nacional, conforme é o caso da televisão de costa a costa, existe um claro esforço nacional no sentido de tornar o idioma compreensivo para todos, com a invenção de uma espécie de “inglês coringa”) de modo a que se evite a desastrosa situação da Itália, onde basta atravessar uma região montanhosa, para que do outro lado se fale uma língua estranha que os do lado de cá não conseguem entender.

                   Mas no Brasil a coisa é ainda mais divertida, porque sendo uma nação eminentemente integrada, na verdade todos assassinam o português com completa liberdade, não havendo nenhum grupo em particular, tanto do governo, como de agências ou grupos especializados, que se esforcem para fazer com que o gaúcho entenda o carioca, ou o nordestino compreenda o que diz o paulista. Se você, como cidadão brasileiro (que por viver somente em seu próprio país, não se dá conta dos “crimes” cometidos com sua língua) quiser saber alguns exemplos que escolho ao acaso, leia aqui estas maravilhas.

          Por exemplo, e esta é a impressão dos estudantes americanos que se interessam pelo Brasil e por seu curioso português ) nada mais espantoso do que a teimosia observada no “Paulistês” santista, quando todo o mundo aparentemente não tem o menor conhecimento do que seja o uso do subjuntivo dos verbos. Assim, por todos os lados aqui em Santos e no Guarujá, vejo nas conversas de rua, como dentro dos próprios programas de TV locais, coisas tais como  “Eu quero que ele fica”, ou “Eu espero que ela gosta””. Por outro lado, existe um persistente hábito de enfiar a letra “i” num monte de palavras, onde essa vogal não existe. Assim, em todas as emissoras paulistas só se ouvem as distorções tais como  elemeinto”,  noveimbro”, “porceinto, o que nos desespera a todos nós que, por profissão, somos obrigados a tentar falar bem aquilo que se convencionou como o idioma português

. Uma jovem jornalista “côr  de jambo”, (conforme nos diz maliciosamente a atriz Letícia Spillerda novela ‘Suave Veneno”) da Rede Globo, cujo nome é Zileide Silva, por sinal muito simpática , apesar de sua voz agradável e de sua dicção perfeita, horroriza-nos com a repetição constante das palavras que citei acima, sem que a emissora lhe puxe as orelhas, ensinando-lhe que tais palavras não existem no dicionário do Brasil. A jovem e simpática locutora paulista que tem base de operações em Brasília, aparentemente tem conseguido se manter no posto, a despeito desse implacável assalto ao idioma deste país.

          Mas se a questão da pronúncia é posta de lado, igualmente não passa sem ser observada a característica da simpática Fátima Bernardes da mesma  Rede Globo, que se não torce a pronúncia correta das palavras, torce a boquinha de tal maneira, que deixamos de prestar atenção ao texto que nos lê, porque nossa atenção se fixa nos seus carnosos lábios completamente entortados e torcidos quando cita determinadas palavras em meio às notícias.

          Os cariocas, por outro lado, provavelmente convencidos que falam o melhor português do país - (  bem, talvez não o saibam falar corretamente, mas certamente  transmitem uma enorme simpatia tão típica da gente do Rio ) quase nos fazem desmaiar com  suasgozadíssimas... “eschtchimatchivas”, “ishto”, goshto e etc, um chiado cuja origem é-nos impossível determinar.

          Talvez que tais maus hábitos nos tenham sido dados como herança  dos nossos antepassados portugueses, que igualmente assassinam seu idioma nativo, quando costumam esconder a letra “e” em numerosas palavras, tais como “d’ pois’” , “d’vido, d’ cente”etc.

          Faço esses comentários, porque como intérprete simultâneo de conferência do Departamento de Estado em Washington nos últimos 40 anos, sei que é praxe desse órgão americano das relações exteriores frequentemente mandar seus melhores intérpretes em visita aos países cujos idiomas empregam em seu trabalho diário para o governo dos Estados Unidos, sempre com o propósito de procurar fazer com que “refresquem “o idioma estrangeiro que utilizam em sua função oficial em Washington. O diabo é que até hoje ainda não consegui atingir um firme consenso, porque, aqui entre nós, amigos, não é mole falarpaulistês e empregar as novas palavras do estilo da jornalista ZileideSilva. Quem duvidar que preste atenção no noticiário noturno da Globo. Sem falar, finalmente, no hábito nacional de usarmos certas palavras pensando que estamos dizendo uma coisa, quando na verdade estamos dizendo coisa completamente oposta, conforme é o casofrequente em todos os filmes para a TV e todas as novelas, quando brasileiros em geral usam  o “ela está “brava” comigo (que quer dizer bravia, valente, corajosa ) por “ela está braba” ( que nunca usam e quer que dizer precisamente  o que desejavam expressar, isto é, ZANGADA, ABORRECIDA. 

 

 

 


 


 
 
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