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Poderia Eu Ter Evitado a Mortandade nas Malvinas ?!

Professor Mario Giudicelli - BRASIL e USA

Consultor

 

PODERIA EU TER EVITADO A MORTANDADE NAS MALVINAS?

Comentários do Jornalista MARIO GIUDICELLI

                                                 
Janeiro de 2009
 
 
   Em todos os meus comentários e artigos
relacionados, especificamente, com meu trabalho, em Washington ,como intérprete simultâneo de conferências ou como acompanhante intérprete de visitantes oficiais aos Estados Unidos, sempre  me obriguei - não sei se por profissionalismo, por medo de perder o emprego ou por ser, basicamente, honesto - a manter silêncio. 
 
A verdade é que durante os meus 40anos, como funcionário contratado do Departamento de Estado, jamais transmiti a outros aquilo que ouvia nas conversas particulares em que agia como intérprete entre as autoridades norte-americanas e os convidados dos paises estrangeiros.
 
É, também, verdadeiro, que agora em condição de semi-aposentado e vivendo (ainda que temporariamente) no Guarujá, Estado de São Paulo, sinto-me desobrigado a manter o silêncio.
 
Essa observação diz respeito, especificamente, a um importante fato relacionado aos Estados Unidos de Ronald Reagan (para quem, a propósito, fui intérprete simultâneo em muitas ocasiões. Inclusive no debate político entre o ex-governador Dukakis de Massachusserts  e o próprio Reagan, quando de sua disputa pela Presidência dos Estados Unidos e transmitido, parcialmente, pela TV Globo faz alguns anos).
 
Conto esse dramático incidente aos meus habituais leitores, não só porque se trata de um fato espantoso em que me aconteceu ser testemunha, como porque deve esclarecer um episódio que, na ocasião, deixou milhões em dúvida sobre o que teria causado a estúpida guerra entre a Grã Bretanha e a Argentina, em relação ´á disputa das ilhas Falkland ( ou Malvinas, como a chamam os argentinos).
 
Fica para o final registrar o que, possivelmente, eu poderia ter feito , para evitar esse estúpido e mortal combate. Vamos aos fatos. Passemos para o próximo parágrafo, quando comentarei o preparo do cenário que levaria a tantas mortes.
 
A CASA BRANCA VIRA ESTÚDIO DE HOLLYWOOD
   
A guerra fria, as agressões mútuas entre a União Soviética e os Estados Unidos e o completo desconhecimento que um tinha do outro haviam chegado, naquele ano de  1982,  a um nível muito sério. Do lado soviético, um outro ditador pretendia igualmente provocar os Estados Unidos, da mesma forma como irritamos um vizinho que não gostamos, sem chegar a vias de fato.
 
Do lado norte-americano, o país era governado por um dos mais incompetentes presidentes entre os quarenta ocupantes anteriores da Casa Branca. Reagan nunca saiu mentalmente de Hollywood. Pior ainda, ( e com isso enganando o mundo inteiro que o via como um ator participando de um filme de mocinho e mocinha ) trouxe Hollywood para a Casa Branca, que passou a ser a sede do Atlãntico dos Estúdios de Hollywood.
 
Mas havia ainda um outro fator perigoso: ele não se lembrava de nada, isto é, já tendo-se iniciado sua doença que o acabou por matar, a chamada doença de Alzheimer. Assim, cercado por um lado por uma fracassada e ambiciosa artista de terceiro time de nome Nancy Reagan, que querendo mostrar poder aos seus antigos e superiores companheiros de trabalho de Hollywood, exibia para todos o poder da primeira dama, Reagan era igualmente um completo incompetente,. delegando toda sua autoridade a um bando de aproveitadores, um dos quais, um major dos Fuzileiros Navais ( Marine Corps )  desviava, secretamente, armamento para combater um imaginário perigo soviético.
 
Esse major,   sem a aprovação de Reagan, que nada sabia, lançou-se contra um líder nacionalista da Nicarágua, que, pouco antes, havia conseguido derrubar um antigo
ditador nicaragüense, proprietário de grande parte das terras dessa nação, para plantação de bananas, negócio inteiramente nas mãos da United Fruit, uma empresa americana que dominava todo o governo daquele pais da América Central.
 
OS PAISES LATINO-AMERICANOS PROTESTAM
         CONTRA A AGRESSÃO Á NICARÁGUA
 
Convém, aqui, recordar um pequenino detalhe, mas sumamente importante para o entendimento de todo esse drama. Reagan era definitivamente um individuo altamente perigoso para as liberdades garantidas pelos pais da pátria, bastando recordar um detalhe pouco sabido por todos, isto é, ele tinha, anteriormente, sido um agente delator de colegas artistas de Hollywood, durante o triste período iniciado pelo-Senador MacCarthy e que quase destruiu os Estados Unidos com seu macartismo, tendo, posteriormente, recebido todo o apoio do homossexual Herbert Hoobver, Diretor do FBI.
 
Com isso, o novo governo americano nos anos turbulentos dos Estados Unidos, em 1988, era definitivamente rabioso anti-soviético, e qualquer país que ousasse atacar uma empresa norte-americana era, imediatamente, considerado antiamericano e pró-soviético. E assim, com tal desculpa, o movimento nacionalista e patriótico do Presidente da Nicarágua tinha que ser inaceitável para Washington, e disso se aproveitaram os citados militares do Marine Corpos para influenciar Reagan a adotar uma política de agressão contra esse país da América Central. Só que, ai, surgiu um problema inesperado: alguns países da Américas Central e do Sul começaram a protestar, pois viram, nessa agressão, um perigo para toda a América Latina.
  
 A CONFERENCIA INTERAMERICANA DAS FORÇAS ARMADAS
 
Nesse momento, ( não posso precisar de quem partiu a ideia) surgiu um pedido para a realização, em Washington, de uma conferência dos Chefes das Forças Armadas de todos os paises da América, visando os Estados Unidos, entre outros motivos, obter o apoio, pelo menos verbal, da violência dessa nação contra o pequenino pais da Nicarágua.
 
Todos os paises se reuniram no Colégio Interamericano de Defesa no Forte Mac Nair em Washinton, onde desde logo exibiu-se a figura dominante e expressiva do general Galtieri da Argentina, que muito fazia lembrar – a propósito´~ um velho companheiro seu das Forças Armadas dos Estados Unidos, o General de três estrelas George Patton, Comandante do IIi Exército dos Estados Unidos, no sul da França.
 
Em contraste com a figura apagada de um general brasileiro de muito pouca altura e que pouco falava ( provavelmente mantendo a política discreta do Brasil), o general argentino era um magnífico orador, com uma voz retumbante e que, desde o primeiro momento, provocou as maiores manchetes nos jornais dos Estados Unidos. Pois, imediatamente, declarou que seu país condenava o comunismo, que dava total apoio ao esforço libertador do grande Presidente Reagan. Chocando ainda mais sua audiência, ao informar ao Presidente dos Estados Unidos que a Argentina estava pronta para mandar tropas para apoiar o esforço das Forças Armadas dos Estados Unidos, no seu combate ao extremismo comunista na América Central.
 
Comecei a notar, em meio aos oficiais dos demais países, que parecia
haver um certo desagrado do apoio tão declaramente pro-americano, numa luta, afinal, que todos sabiam ser simplesmente uma neurose clássica dos membros do partido republicano, então no poder, pelo temor imaginário da grande potência representada pelos comunistas soviéticos.
 
Em minha cabine de interpretação simultânea, separada do salão principal por um vidro fosco de um lado só, eu trabalhava, tranquilamente, repetindo, ora em português, ora em espanhol, ora em inglês  as várias versões que apoiavam ou rejeitavam as propostas feitas por alguns militares.
 
No momento, entretanto, quando o general Galtieri tomou em suas mãos o microfone e começou a afirmar a posição da Argentina, notei, sobretudo da delegação americana , um ar de grande surpresa e ao mesmo tempo seguido de intensas palmas pelas simpáticas palavras do general argentino de apoio ao Presidente Reagan. Confesso que, naquele instante, eu me achava um tanto entorpecido, embora continuasse a traduzir com facilidade, A reunião foi suspensa por volta do meio dia, quando, então, todos os participantes iriam almoçar no grande salão de refeições dentro do Forte McNair.
 
Eu tinha trazido, como geralmente o fazia, um grande sanduiche e isso porque, assim, eu teria mais tempo para, usando uma grande poltrona que havia na minha sala de interpretação, fechar os olhos por alguns minutos adicionais, dentro do gostoso ar condicionado que nos cercava. Cheguei, na verdade, a fechar o olhos, quando ouvi um som de vozes procedentes de algum lugar dentro do salão; abri os olhos e me dei conta de que o som vinha do meu próprio fone de ouvido, que eu havia posto em cima da mesa de trabalho.
 
Sabendo que estávamos no meio da hora de almoço e com as luzes do salão apagadas , achei curioso o som de vozes, e, por isso, peguei o fone de ouvido, olhei para o salão, que parecia deserto e constatei que o grupo de militares argentinos havia permanecido em suas poltronas. mas que falavam, razoavelmente, em baixo tom. Instantes depois  ouvi algo que, no momento, me pareceu estranho e quase incompreensível. O general Galtieri, depois de ouvir alguma coisa dita por um oficial argentino a seu lado , voltando-se para todos os seus companheiros disse, abertamente, a seguinte frase:
 
“ESTOS ATORRANTES ESTAN EM EL BOLSILLO ! LAS MALVINAS SON NUESTRAS, HÁHA, HAHA !!!’
 
 No primeiro instante, não me dei conta do que ele estava falando. Afinal, a conferência estava lidando com o apoio ou não dos paises latinos ás aventuras militares de um grupo de oficiais do Corpo de Fuzileiro Navais, para a derruba do Presidente da Nicarágua
 
Ora, para fazer uma estória curta de um caso,realmente,enorme,  tudo o que passou na cabeça do violento general argentino foi simplesmente sua absoluta convicção de que o apoio integral – o único entre todos da América Latina para dizer a verdade -- do seu país aos planos do Presidente Reagan obteria igual completo apoio dos Estados Unidos, em relação a sua pretendida e secreta aventura militar, que ele lançaria quando retornasse á Argentina, algum tempo depois. E essa aventura militar era, simplesmente, atacar de surpresa as ilhas Falkland,. sob o domínio da Grã Bretanha .
 
Tanto aqueles que raciocinaram como eu que se tratava de uma completa estupidez, na ocasião; assim como todos os que conheciam o cordial e simpático relacionamento entre o Presidente Reagan e a Sra. Margaret Thatcher, da Grã Bretanha,  perceberiam, imediatamente, que a gabolice do então chefe das Forças Armadas da Argentina não fazia o menor sentido, O que isso explicava, sim, era que o general argentino, como de resto a maioria das pessoas na América Latina, não percebiam nem de longe nada sobre a vida nos Estados Unidos, sobre a personalidade do próprio Presidente e da enorme amizade entre britânicos e norte-americanos, sobretudo, porque os dois governos ´pensavam politicamente da mesma maneira.
 
A IMPRENSA CAI EM CIMA
                         DO INTÉRPRETE                          
 
Conforme ocorria todos os dias, nós, os dois intérpretes da conferencia, éramos praticamente assaltados todas as tardes pelo grande número de jornalistas, que, do lado de fora do edifício da conferência, procuravam saber noticias sobre os fatos discutidos internamente. E, assim, ás quatro da tarde daquele dia, tendo já, mais ou menos, posto de lado no meu pensamento o que tinha ouvido, deixei, ou tentei deixar o edifício, para logo ser cercado por alguns repórteres que com insistência queriam saber das novidades.  
 
Pensei por alguns instantes se eu poderia ou deveria revelar o que tinha ouvido em segredo naquela tarde. Achei , no entanto, que não tinha o direito de contar nada. Afinal, conforme tenho dito com freqüência, o intérprete é um mal necessário, mas é indispensável. Mas ele não tem direito de revelar aos outros as coisas que ouve. Fechei então os ouvidos, dirigi-me ao local onde estava estacionado meu carro e voltei para casa.
 
E PENSEI ENTÃO DEPOIS : COM TODOS AQUELES JORNALISTAS ESCREVENDO PARA O MUNDO, EU PODERIA DESARMAR E DESMASCARAR COMPLETAMENTE O GENERAL GALTIERI E ESTOU CONVENCIDO QUE ELE NÃO TERIA TIDO CORAGEM DE SE AVENTURAR NAS MALVINAS. SUA MÁSCARA TINHA CAIDO!
 
Mas no silêncio do meu lar, pensei : Teria eu ou não o direito de falar?. Eu não poderia imaginar que menos de três meses depois desses incidentes, o General Galtieri iria assumir o Governo da Argentina, e, conforme ele prometia aos seus ouvintes no salão de conferências do Forte Mac Nair, iria lançar-se, desastrosamente, contra o poderio naval britânico, sem o apoio de Reagan; AFINAL, O PRESIDENTE TINHA NA CASA BRANCA, NAQUELA NOITE, UMA FESTA HOLLYWOODIANA OFERECIDA AOS SEUS AMIGOS ARTISTAS E ISSO ERA MUITO MAIS IMPORTANTE !!!!!
 
 
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“ESSES VAGABUNDOS ESTÃO NO MEU BOLSO. AS MALVINAS SÃO NOSSAS . !!!!!”  (tradução)
 
Informações sobre o autor:
 
Nascido no Brasil, o Jornalista Mário Giudicelli é Mestre em Sociobiologia (a ciência que estuda as formas de comportamento de todos os seres vivos, inclusive das plantas) – Universidade de Connecticut, 1973.
 
Trabalhou por mais de 20 anos na Drug Enforcement Administration, a Agência Federal dos Estados Unidos de Controle e Policiamento de Drogas. Funcionário da Casa Branca,durante 12 anos, foi tradutor simultâneo dos Presidentes George Bush (pai) e Ronald Reagan.
 
Entrevistou inúmeras celebridades como os artistas Kirk Douglas, Clint Eastwood, John Wayne, o diretor Alfred Hitchcock, a atriz Jane Fonda e vários outros; o Presidente Arthur da Costa e Silva, inúmeros deputados, senadores, jornalistas, cientistas de vários países da América Latina; o General Perón (em 1947), Che Guevara, Fidel Castro, Jânio Quadros, Ludwig Erhart da Alemanha Ocidental, Gamal Abdel Nasser, Presidente do Egito, de quem foi tradutor simultâneo durante cinco anos. Foi locutor da Rádio do Cairo ( entre 1957 e 1962 ) e da Voz da América ( entre 1973 e 1974).
 
Tornou-se amigo do cientista alemão Werner Von Braun com quem gravou uma das mais interessantes entrevistas sobre o destino da humanidade (a entrevista com o Dr, Von Braun está disponível para quem desejar uma cópia ). Giudicelli foi correspondente de guerra no Terceiro Exército do General George Patton, entre dezembro de 1945 e maio de 1946; foi correspondente no Tribunal de Guerra em Nuremberg, durante um ano e meio, sendo o único jornalista, ainda vivo, que esteve presente em todo o julgamento dos criminosos nazistas.
 
Release para Imprensa
 
 
 
 

 


 


 
 
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